maio 15, 2010

22 ANOS DE FADO 1988/2010

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1994 / NICOLAU ROCHA

Fado Isabel / Fontes Rocha

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FOGUEIRA DO TEMPO

É na fogueira do tempo

Que meu tempo se consome

Na raiva de não ter tempo

E morrer com essa fome

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A chama que a vida tem

Vai ardendo hora a hora

A minha esp’rança também

Vai morrendo vida fora

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Foge-me o tempo então

Como areia entre os dedos

Só não foge esta impressão

Que tenho de tantos medos

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Quando acabar o meu tempo

Acabará p’ra mim também

Este lutar contra o tempo

De querer ser na vida alguém

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Se um dia alguém tiver tempo

De lembrar que eu existi

Que não seja por lamento

De algum tempo que perdi

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1996 / MANUEL BARBOSA

Fado Solene / Alberto Correia

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NÃO REZO HÁ TANTO TEMPO

Eu guardo os pecados meus

Na vida como um tormento

Já não sei falar com Deus

Já não rezo há tanto tempo

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Às vezes fico indeciso

Se são pecados mortais

Quando de Deus eu preciso

Ele não me fala mais

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Se não é pecado amar

E se o fado é oração

Então eu rezo a cantar

E de Deus tenho o perdão

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Muitos não são capazes

De encarar seus pecados

Eu com Deus já fiz as pazes

Paguei-os todos em fados

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1998 / ANTÓNIO PASSOS

Música própria / Samuel Cabral

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ARRUMADO NO SOTÃO

Eras sonho adormecido

Que á muito tempo guardava

No sótão das ilusões

Um fado quase esquecido

Qu’eu há muito não cantava

Nas minhas recordações

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Mas quando ontem te vi

Eu pude rever também

Quanto o amor pode durar

Foi então que compreendi

Que há feridas que um homem tem

Que levam tempo a curar

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Tu és sonho do passado

Que vou de vez qualquer dia

No meu sótão arrumar

Poema lindo dum fado

Em soberba melodia

Mas que outro anda a cantar





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