fevereiro 28, 2010

UM FADO PARA OUVIR E VER

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GENTO DO FADO


Dia 02 – Apresentador de fado, Alberto Araújo
Dia 08 – Fadista Yolanda Carvalho
Dia 08 – Fadista e Compositor, Jorge Fernando
Dia 12 – Fadista nortenho, Tony Guedes
Dia 13 – Fadista e Letrista, António Terra
Dia 14 – Fadista Cila Daire
Dia 14 – Fadista Celeste Rodrigues

Dia 05 – Poeta Pedro Homem de Mello, 1984
Dia 10 – Poeta Renato Caldevilla, 2004

22 ANOS DE FADO 1988/2010

1992 / AUGUSTO LOPES
Fado Loucura / Júlio de Sousa
.
FELICIDADE FÉ E ARTE

Esta vida tem momentos
De radiosa alegria
Outros de grandes tormentos
Cada um ao nascer
Tem o destino marcado
Pela sorte que vai ter

Felicidade
Não é um bem permanente
Diz o povo, é verdade
Que bate á porta da gente
Em qualquer parte
Cada um tem a que quer
Basta ter fé e ter arte
E o amor de uma mulher

Pecador ou perfeito
A ser feliz neste mundo
Cada um tem o direito
Mas a vida contradiz
Entre o homem rico ou pobre
Escolham o mais feliz
.
1992 / AUGUSTO LOPES
Fado Súplica / Armando Machado
.
A RAIVA DE SER ASSIM

Pela taça da vida já bebi
Horas d’angustia, d’amargura
Tanto de saudade já sofri
E quase d’amor fui à loucura

A raiva qu’em meu peito mais me dói
È tentar ser feliz e não o ser
Ter sempre esta tristeza que me mói
A alma tão dorida de sofrer

Tento compreender meu semelhante
E semeio a virtude, tanto assim
Que ouvindo os outros num instante
Fico a sofrer por eles e por mim

O fado cantando vou mantendo
Esta chama d’amor acesa em mim
Gritando que a maldade não me vendo
Sou aquilo que sou nasci assim
.
1992 / FRANCISCO LISBOA
Fado Alenquer / Nóbrega e Sousa
.
MEU PAI MEU TIMONEIRO

Dos amores de todos nós
Amor de pai é talvez
O que menos canta a voz
Do coração português
Se o fado é oração
Canto nele este recado
Ó meu pai como era bom
Ter-te de novo a meu lado

Ó meu pai, Meu amigo verdadeiro
Meu amor meu timoneiro
Dos passos qu’eu ando a dar
Ó meu pai, Que saudades companheiro
Dessas noites de Janeiro
Com histórias p’ra contar
Ó meu pai, Sem teu afago e ternura
Há quem pense ser loucura
Andar a chorar por ti
Mas não meu pai, Sabes meu pai
São as saudades de ti

Os teus conselhos meu pai
Guardei-os com devoção
Só a saudade não sai
Dentro do meu coração
Meu pai aí no além
Vela por mim meu amor
Eu cá na a terra também
Rezo por ti ao senhor

MINHAS PALAVRAS SENTIDAS

EXISTIR

Este viver como calha
na ponta da navalha

Este cumprir do ritual
desta vida sempre igual

Esta cansada tristeza
da esperança sempre acesa

Este inconformismo eterno
da vida ser sempre Inverno

Este passar do tempo
sem nunca se ter tempo

Esta condescendência
com a nossa consciência

Este cansaço no peito
do desalento sem jeito

Esta humilhação de pedir
constantemente desculpa

Apenas por existir.

fevereiro 16, 2010

UM FADO PARA OUVIR E VER

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fevereiro 15, 2010

GENTE DO FADO

Dia 15 – Fadista nortenho, Narciso Reis
Dia 19 – Violista Joel Pina
Dia 20 – Fadista Rodrigo da Costa Félix
Dia 21 – Violista do Porto Alexandre Santos
Dia 21 – Fadista Hélder Moutinho
Dia 22 – Fadista do Porto Ricardo Mesquita
Dia 23 – Fadista Katia Guerreiro


Dia 15 – Fadista e Autor Neca Rafael, 1978
Dia 22 – Cançonetista Rui de Mascarenhas, 1987
Dia 22 – Fadista do Porto Franclim Simões, 2009
Dia 23 – Cantor Zeca Afonso, 1987
Dia 26 – Poeta Augusto Gil, 1929
Dia 28 – Sr. Bessa (Pátio da Mariquinhas), 1994

22 ANOS DE FADO 1988/2010

1991 / EDUARDO ALÍPIO
Música Própria / Nel Garcia
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FADOCANTO

Trago fado no peito como alento
Junto ás minhas coisas mais secretas
Dou-lhe a minha voz cantando ao vento
Palavras mais sentidas dos poetas

Foi fado o meu nascer ó minha mãe
Foi fado amores que tive e vi morrer
É fado o meu viver sem ter ninguém
Será fado o meu fim quando vier

Meu modo de cantar este meu jeito
Nasceu comigo numa tarde calma
Por isso trago fado no meu peito
E canto quando a dor m’invade a alma

É fado a minha voz que por encanto
Te leva esta mensagem plangente
É fado este sentir que t’amo tanto
E dize-lo cantando a toda a gente
.
1991 / EDUARDO ALÍPIO
Música Própria / Manuel Rego e Samuel Cabral
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MARIA DO DOURO

Maria do Douro / Tu és o tesouro
Que ainda me resta.
É doce o teu vinho / Que alegra o povinho
Em dias de festa.
Na terra que amanhas / Na luta que ganhas
O pão do teu dia.
É teu esse chão / E queiras ou não
És D’ouro Maria.

Bonita de cor trigueira
Tem nos braços a canseira
Duma vindima do Douro
Tem no corpo o movimento
De danças feitas ao vento
Num campo de milho louro

Maria do Douro / Tu és o tesouro
Que ainda me resta.
É doce o teu vinho / Que alegra o povinho
Em dias de festa.
Na terra que amanhas / Na luta que ganhas
O pão do teu dia.
É teu esse chão / E queiras ou não
És D’ouro Maria.

Nascida em terra de lendas
Na arca que guarda rendas
Vive uma moura encantada.
E nos “Cantaréus” que canta
Anda uma alegria santa
A ponto de cruz bordada
.
1992 / AUGUSTO LOPES
Fado Solene / Alberto Correia


SONHO PERFEITO

Eu já te tinha encontrado
Muito antes do destino
Já vivias a meu lado
No meu berço de menino

O teu modo de beijar
É tal qual o que pensei
O brilho do teu olhar
Foi assim que imaginei

O teu corpo meu amor
Desenhei-o a finos traços
Senti-lhe a alma o calor
Ao moldar-se nos meus braços

Eras meu sonho perfeito
A mulher que eu sempre quis
Hoje és um sonho desfeito
Mas mesmo assim sou feliz


MINHAS PALAVRAS SENTIDAS

VINGO-ME

Vingo-me de mim
Quando dou aos meus filhos
os “Legos” para brincarem.

Vingo-me de mim
Ao vê-los comer batatas fritas com bife
Igual ao que minha avó me deu
quando fiz seis anos.

Vingo-me de mim
Quando os vejo ler à luz do candeeiro
Mas não de petróleo como era o meu.

Vingo-me de mim
Quando eles ligam o aquecedor na sala
E não aquecem as mãos no borralho.

Vingo-me de mim
Nessas alturas vingo-me
De tudo que não tive.