março 31, 2010

UM FADO PARA OUVIR E VER

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GENTE DO FADO

Dia 04 – Actor e Cantor, Carlos Quintas
Dia 08 – Cantora Dulce Pontes
Dia 08 – Cantor portuense, Manuel Morais

Dia 14 – Fadista de Gaia, Aida Arménia



Dia 03 – Compositor Nóbrega e Sousa, 2001
Dia 04 – Fadista Flora Pereira, 2008
Dia 04 – Violista portuense, Manuel Carvalho, 2002
Dia 06 – Guitarrista do Porto, “Barbeirinho”, 1960
Dia 06 – Fadista nortenho, Hildebrando Ribeiro, 2009
Dia 07 – Guitarrista do Porto, Marcírio Ferreira, 1973
Dia 07 – Fadista César Morgado, 1974
Dia 13 – Fadista e Letrista, Salazar Silva, 1998

22 ANOS DE FADO 1988/2010

1993 / ALBANO SIMÕES
Fado Cuf / Alfredo Marceneiro
MAR D’AMOR

Saudoso do teu corpo nos meus dedos
E d’afagar teu rosto de veludo
Fui ao pé do mar contar segredos
O mar é confidente o mar é tudo

Quis lavar meus olhos nessa água
Cansados do meu pranto do meu fado
Contei então ás ondas minha mágoa
Querer-te meu amor foi meu pecado

Teu nome junta as ondas escrevi
Mas o mar o levou sem um lamento
Eu sofro por gostar tanto de ti
Que não esqueço amor um só momento

A areia d’entro os dedos se sumiu
Na minha mão apenas ficou pó
Foi quando o Sol na praia reflectiu
A sombra deste alguém que vive só
.
1993 / ALBANO SIMÕES
Fado 3 Bairros / Casimiro Ramos
SOU ASSIM
Meu amor eu reconheço
Por vezes não te mereço
Pelo meu modo de ser
Os meus caprichos aturas
E nunca amor te saturas
Da maneira de eu viver
Sei que mereço castigo
De não ser tão teu amigo
Como tu és minha querida
Eu tenho-te acompanhado
De mãos dadas lado a lado
Nas amarguras da vida
Os nossos filhos que amamos
E a muito custo criamos
São o orgulho sentido
Testemunhas de verdade
Das horas de felicidade
Que na vida temos tido
Fiz este fado p’ra ti
E as palavras que escrevi
Foi o meu peito a ditar
Eu sei que gostas de mim
Perdoa mas sou assim
E meu jeito de te amar
.
1992 / MANUEL SOARES
Fado Licas / Armando Machado
AS MENINAS DOS TEUS OLHOS

Dentro desses olhos tão bonitos
Andam duas meninas a bailar
Foram duas janelas com escritos
Que muitos alugaram p’ra brincar

Logo que teus olhos encontrei
Na rua d’amargura do pecado
Não os quis alugar nem os comprei
Mas fizeram na vida o meu fado

Agora as meninas dos teus olhos
Brilham de felicidade e tanto assim
Qu’esqueceram na vida os escolhos
Só abrem as janelas para mim

Passam todo o tempo a conversar
Essas quatro meninas ò meu Deus
Adoro vê-las tanto a bailar
Nesses olhos bonitos que são meus

MINHAS PALAVRAS SENTIDAS

DESABAFO

Rasga o peito
mostra o coração
e deixa-o falar pela boca
Ele que proclame de viva voz
a liberdade e a paz
Deixa-o ser o porta-voz
do que sentes meu hipócrita
Abre os braços
e faz deles um asilo
de multidões sedentas de paz e mor
Juntas as mãos e reza ao teu Deus
para que em vez de chuva caía pão
e mate a fome às bocas cansadas
de pedir liberdade.


março 15, 2010

UM FADO PARA OUVIR E VER

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GENTE DO FADO


Dia 15 – Fadista do Porto, Nelson Duarte
Dia 15 – Fadista do Porto, Hermínio Viana
Dia 16 – Fadista de Matosinhos, Paulo Cangalhas
Dia 16 – Fadista do Porto Ernesto Silva
Dia 16 – Guitarrista portuense, Samuel Cabral
Dia 17 – Poetisa gaiense, Paula Sousa
Dia 19 – Autor Hermano José
Dia 21 – Fadista Poveira, Sílvia Raquel
Dia 21 – Fadista nortenha Maria do Sameiro
Dia 22 – Fadista Manuela Cavaco
Dia 28 – Fadista Ana Sofia Varela
Dia 29 – Autor Fernando Tordo

.


Dia 17 – Poeta António Botto, 1959
Dia 27 – Fadista Maria Albertina, 1985
Dia 29 – Cançonetista e Autor Max, 1980

22 ANOS DE FADO 1988/2010

1992 / MARGARIDA LIMA
Fado Macau / Adriano Roriz Baptista
.
FADO CIÚME

Sei que olhas para ela
Quando vais comigo ao fado
Não tenho ciúmes dela
Mas não saias do meu lado

Vai p’ra todos o meu canto
Mas p’ra ti vai meu amor
Mas não olhes para o canto
Ela está lá sem pudor

Tu olha só para mim
Eu quero-te tanto, tanto
Por amor eu sou assim
Choro por mim quando canto

Não tenho ciúmes dela
Ela nem sabe cantar
Mas não olhes para ela
Não me ponhas a chorar
.
1992 / MARGARIDA LIMA
Música Própria / A. Bracinha
.
MEU PORTO MEU FADO

Anda vem daí comigo
Ver esta cidade
Anda ver o Porto antigo
Velhinho sem ter idade
Anda pelo teu pé
Ao bairro da Sé
E à praça da Ribeira.
Vai ver o Sol-pôr qu’é lindo
Á tardinha na Cantareira

Meu Porto guerreiro em granito
Escondes o grito feito à liberdade
Meu Porto tripeiro de gema
Que guardas o lema
Da minha cidade
Meu Porto meu berço dourado
Meu rio meu fado que tudo me diz
Meu Porto foi bem que fizeste
No dia em que deste
Nome ao meu país

Vem daí mete-me o braço
E traz teu balão
Acerta por mim o passo
Na rusga de S. João
Vê quanta alegria
Anda neste dia
No meio do bailarico.
Vai à noitinha ás Fontainhas
E compra lá teu manjerico
.
1992 / MARIA AUGUSTA
Fado Franklin / Franklin Godinho
.
MEU AMOR MINHA CIDADE

Meu Porto bordado a ouro
Nas finas rendas do Douro
Meu amor minha cidade
Ò minha jóia em granito
Que guardas em ti o grito
Do teu povo à liberdade

Do Bonfim à Cantareira
Do Amial à Ribeira
Cada rua tem história
Foi do “Ouro” triunfante
Que partiu o nosso Infante
A caminho da glória

A tua maior medalha
É teu povo que trabalha
Tripeiro mas com vaidade
És nobre e sempre leal
Deste o nome a Portugal
Nossa senhora te guarde

SABIA QUE...

A Colectânea «Os Fados da Alvorada»: São três Volumes num total de 54 fados, onde reúne 25 temas pela primeira vez em CD. Teve apresentação ao público no Museu do Fado, no dia 1 de Março. Trata-se de uma edição com o selo da Movieplay, que inclui uma brochura com textos explicativos e fotografias inéditas. O autor deste belíssimo trabalho é do investigador José Manuel Osório, que repõe, em muitos casos, a «verdade dos factos».Diz o investigador:
«Esta colecção começa da melhor maneira, com um imbróglio daqueles à antiga portuguesa. A capa original do disco que abre esta colecção refere, na contracapa, o seguinte: Rosa Caída, letra de José Guimarães e música de Joaquim Campos. O autor da letra está errado. O título corresponde efectivamente a um poema de José Guimarães mas o que acontece é que, após leitura do texto original deste poeta, que consultei na Sociedade Portuguesa de Autores, este não correspondia ao texto que Ada de Castro cantava. Pedi então para ver os manuscritos entregues naquela Sociedade, onde as palavras Rosa e Caída apareciam, afim de poder chegar a conclusões. Encontrei então um outro texto, com o título A Rosa, da autoria de Joaquim da Silva Borges, poeta nortenho acerca do qual nada consegui saber pois, na SPA, não existem dados sobre este autor (*). Era este justamente o poema que eu procurava! Não se podia começar melhor: um autor errado desde a data da sua primeira publicação em 1961; um título errado, há 48 anos, e uma quantidade de versões cantadas pelas mais diversas intérpretes, com repetição em tods, deste erro».

(*) Para satisfazer o pedido do meu amigo José Manuel Osório, sobre notas biográficas deste autor da cidade do Porto, consultei alguns amigos e diversas identidades como: Arquivo Histórico e Municipal do Porto e a Junta de Freguesia da Vitória, apesar da amabilidade e atenção concedidas, nada adiantou. O Pouco que soube deste autor portuense, foi-me dito pelo meu amigo e fadista desta cidade, Nelson Duarte, que gravou no CD “A Noite do Regresso”o tema: “A Jóia mais bonita”, de Joaquim da Silva Borges. Através do cantor popular do Porto, o meu prezado amigo Manuel Morais, soube que chegou a conviver com o poeta e também, que Joaquim S. Borges, escreveu peças de teatro de Revista, entre muitas letras para fado e canção. Informei disto o meu querido amigo e investigador José Manuel Osório, que apenas sabia que o poeta residiu na Rua de Traz e faleceu em 1961.

Fica o apelo aos meus leitores, que possam saber mais dados importantes sobre este poeta
portuense, que me informem para que (como é costume…) não fique no rol dos esquecidos.

Manuel Carvalho